População gasta mais com saúde do que o governo, segundo IBGE

Fonte: Correio Braziliense (http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2012/01/18/internas_economia,286760/populacao-gasta-mais-com-saude-do-que-o-governo-segundo-ibge.shtml)

Embora os gastos do governo com bens e serviços de saúde tenham aumentado num ritmo mais intenso entre 2007 e 2009, as famílias continuam contabilizando despesas mais elevadas nesse setor. Entre os dois anos, as famílias brasileiras responderam, em média, por mais da metade (56,3%) desses gastos, o que representou cerca de 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em todo o período. Já os gastos da administração pública aumentaram sua participação no PIB de 3,5% para 3,8% entre os dois anos.

Os dados fazem parte da pesquisa Conta Satélite de Saúde, divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento traz informações sobre a produção, o consumo e o comércio exterior de bens e serviços relacionados à saúde, além de dados relacionados ao trabalho e à renda nas atividades que geram esses produtos.

De acordo com o estudo, as famílias gastaram, em 2009, R$ 157,1 bilhões em bens e serviços de saúde, enquanto a administração pública desembolsou R$ 123,6 bilhões com o mesmo setor. Já as instituições sem fins lucrativos a serviço das famílias gastaram R$ 2,9 bilhões (0,1% do PIB).

Dessa forma, o consumo de bens e serviços de saúde naquele ano representou 8,8% do PIB total do país, alcançando R$ 283,6 bilhões.

Em 2009, as principais despesas de consumo final das famílias foram com outros serviços relacionados com atenção à saúde, como consultas médicas e odontológicas, exames laboratoriais (36,3% do total) e com medicamentos para uso humano (35,8%).

No caso da administração pública, 66,4% do total foi gasto com saúde pública. As despesas em unidades privadas contratadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) responderam por 10,8% e os medicamentos para distribuição gratuita representaram 5,1% dos gastos.

Para ler a matéria publicada pelo IBGE, segue link: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=2070&id_pagina=1

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MUDANÇA DE FOCO: Brasileiro gasta menos com educação e mais com lazer

O brasileiro diminuiu seus gastos com educação e leitura na última década, o que levará à perda de peso do grupo Educação, Leitura e Recreação, de 8,74% para 7,37%, no cálculo dos indicadores da família dos Índices de Preços ao Consumidor (IPCs). A atualização de ponderação, que entrará em vigor em fevereiro, leva em conta o novo perfil do consumidor brasileiro identificado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em sua Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2008-2009.

De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), com a atualização de pesos, a participação do subgrupo educação, dentro de Educação, Leitura e Recreação, cairá de 5,7% para 3,8% a partir do mês que vem. No caso do subgrupo leitura, o peso diminuirá de 0,4% para 0,3%. Em contrapartida, o brasileiro tem usado mais de seu orçamento familiar em atividades recreativas. O subgrupo Recreação aumentará seu peso de 2,5% para 3,1%, a partir de fevereiro, dentro de Educação, Leitura e Recreação.

A ascensão da classe C e a expansão do crédito na última década levaram às profundas mudanças nas despesas do orçamento familiar detectadas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) na atualização de ponderação dos itens componentes da família dos Índices de Preços ao Consumidor (IPCs), que apuram a inflação no varejo.

Para o economista da FGV André Braz, estes dois fatores explicam a perda de força nos gastos com alimentos; e o aumento de interesse em comprar carros. Embora tenha ressaltado que os IPCs abrangem famílias em diferentes classes sociais, com renda até 33 salários mínimos, considerou que o consumidor de menor poder aquisitivo está incluído na abrangência do indicador.

Fonte: Diário do Nordeste (http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1094612).


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5 atitudes que o jovem líder deve ter

Segundo pesquisas, aproximadamente 20% dos líderes nas empresas pertencem à geração Y e são formados por jovens com elevada qualificação acadêmica. Isso certamente aumenta a expectativa de ascensão, principalmente quando o jovem encontra nas empresas profissionais com qualificação acadêmica inferior.

Contudo, isso também traz efeitos negativos, pois a ascensão a postos de liderança não é composta apenas por conhecimento acadêmico, mas também por conhecimento tácito, adquirido com a experiência funcional.

A falta desse conhecimento tácito em liderança faz com que o jovem líder seja visto como “sem tato” por sua equipe, por isso é indispensável, para todo jovem que pretende ser um bom líder, desenvolver 5 atitudes:

SER FLEXÍVEL – Adaptando sua comunicação a cada público e buscando constantemente um forte entendimento das ferramentas de conexões e das novas tecnologias, usando sua capacidade analítica e conceitual como principal instrumento de adaptação.

CONSTRUIR RELACIONAMENTOS – Garantindo os recursos e ambiente que estimulem a participação de todos em sua equipe. Promovendo a distribuição de atividades de forma desafiadora, buscando o desenvolvimento individual da equipe, sem comprometer os objetivos e resultados.

VALORIZAR A ESTRATÉGIA – Pensando além do momento presente, analisando cenários internos e externos e percebendo tendências que podem ter impacto nas atividades. Aceitando a interferência em suas decisões e objetivos pessoais. Questionando, testando suposições e discutindo as questões abertamente.

PRIORIZAR A INOVAÇÃO – Buscando melhorias através das pessoas, transformando e alinhando os processos em uma desafiadora direção. Considerando sempre a inovação e a mudança, como uma oportunidade de promover o desenvolvimento e a motivação da equipe.

TER ATITUDE – Identificando e lidando com assuntos de forma proativa e persistente, desenvolvendo e executando planos para atingir objetivos organizacionais, definindo prioridades claras, adquirindo, organizando e alavancando recursos disponíveis para atingir resultados sustentáveis com qualidade.

Certamente o tempo trará um novo equilíbrio, na medida que esta geração alcançar posições mais consolidadas, onde possam demostrar maior maturidade e experiência.

Contudo, esse cenário ainda irá pressionar os jovens líderes a uma constante adaptação, pois eles precisam aprender a lidar com os relacionamentos interpessoais usando “ferramentas analógicas”, como as conversas do tipo “olho–no-olho” e não apenas através dos instrumentos virtuais que ele domina com facilidade.

 

Fonte: Exame.com

http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/blog-do-management/2012/01/17/5-atitudes-que-o-jovem-lider-deve-ter/

 

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Governo leva empresários para visitar Colômbia, Peru e Chile

[Dando sequência ao post anterior, indicando a América do Sul como um mercado ainda com potencial de crescimento para os produtos brasileiros, em especial neste momento de crise nos países centrais.]

Agência Estado

http://si.knowtec.com/scripts-si/MostraNoticia?&idnoticia=34432&idcontato=4176&origem=fiqueatento&nomeCliente=FUNCEX&data=2011-08-22

Com a tese de que a melhor defesa é o ataque, o governo brasileiro quer estimular os exportadores brasileiros a buscarem mais mercado nos países em desenvolvimento, principalmente em nichos com produtos de alto valor agregado. Hoje, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) lidera uma missão com 43 empresas para Colômbia, Peru e Chile.

São representantes dos setores de máquinas e equipamentos, casa e construção, saúde, alimentos e bebidas, calçados e tecnologia da informação. A expectativa do governo é que os negócios a serem fechados ultrapassem a cifra de US$ 44 milhões, valor atingido na última missão empresarial, em 2010, a estes três países.

“Numa crise, uns choram e outros vendem lenços. Eu prefiro organizar missões que vendem lenços”, disse o coordenador de Imagem e Acesso a Mercados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Ricardo Santana. Segundo ele, a escolha dos países considerou o aumento do poder aquisitivo. Santana explicou que 20% das populações da Colômbia e do Chile, por exemplo, são classe A e B, com poder aquisitivo de US$ 35 mil por ano, o que abre um potencial mercado consumidor para produtos brasileiros de alto valor agregado e mais inovadores. “Estamos olhando muito os mercados e as tendências”, disse.

Santana disse que, tão importante quanto superar os US$ 44 milhões em negócios fechados, é fazer um trabalho de imagem e de consolidação das empresas exportadoras brasileiras na América do Sul. Ele citou como exemplo o setor de máquinas e equipamentos. “É um mercado que a gente domina e tem sempre que ficar atento à concorrência”.

Após a crise financeira internacional, que teve o auge em 2008, os produtos brasileiros, principalmente de maior valor agregado, perderam participação de mercado para a China, não só em países avançados como os Estados Unidos, mas também nos países da América do Sul.

Atrás da Ásia e da União Europeia, a América do Sul é o terceiro maior destino de exportações brasileiras, com 18,4% (US$ 37,2 bilhões), mais de 60% em produtos de maior valor agregado.

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América do Sul é grande mercado para o Brasil

DCIKarina Nappi e Liliana Lavoratti

http://si.knowtec.com/scripts-si/MostraNoticia?&idnoticia=34335&idcontato=4176&origem=fiqueatento&nomeCliente=FUNCEX&data=2011-08-15

 

Vale muito a pena o Brasil permanecer no Mercado Comum do Sul (Mercosul), o bloco tem sido muito positivo para o País e para as empresas, basta olhar para a qualidade da pauta de exportação, apesar de todas as dificuldades. Esta é a opinião de Ivan Ramalho, que foi o principal mediador nas relações comerciais do Brasil, especialmente com os demais integrantes do Mercosul – Argentina, Paraguai e Uruguai.

Com a experiência de quem permaneceu 16 anos no governo atuando na área de comércio exterior, Ramalho não tem dúvidas que seria bom para o Brasil estimular o ingresso de outros países no Mercosul, como Chile, Venezuela e Peru. “A América do Sul é um grande mercado para o produto brasileiro”, afirma em entrevista ao DCI.

Secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) nos últimos oito anos, hoje Ramalho preside a Associação Brasileira das Empresas de Trading (Abece).

DCI: O governo Dilma Rousseff adotou uma postura rígida frente à concorrência desleal dos seus parceiros comerciais. Esta atitude é positiva para o País?

Ivan Ramalho: Até o final do ano passado o Brasil já tinha inúmeros processos na Organização Mundial do Comércio para combater as importações desleais e outras imposições de parceiros comerciais. Hoje existem cerca de dez processos em andamento para investigar a concorrência desleal.

Todo processo antidumping tem a obrigatoriedade de seguir três passos: apurar o dumping, apurar o dano, comprovar contabilmente o nexo causal entre o dumping e o dano.

O primeiro exige comparação do preço no mercado interno do país em questão com o de venda para o Brasil. No caso da China, como os chineses não são reconhecidos como economia de mercado, é só comparar o preço do produto com outro país que produza o mesmo ou semelhante e obter o resultado, que normalmente é favorável para os empresários brasileiros. Assim, no caso da China é mais fácil ser apurada e aplicada a medida. Hoje temos mais solicitações de investigação que são abertas pelos empresários junto ao governo. Contudo, os casos em que a imposição de salvaguardas era possível foram arquivados.

DCI: Aplicar a salvaguarda não seria uma medida radical?

IR: Sim, e precisaria estar muito bem embasada a decisão antes de ser executada [salvaguarda é o bloqueio das importações de um produto, sem que a empresa exportadora pratique qualquer deslealdade]. Esta é uma das razões para que a China peça o reconhecimento como economia de mercado, para não ter tantas queixas comerciais. Segundo as regras estabelecidas na inserção dos chineses na Organização Mundial do Comércio, em 2001, todos os países serão obrigados a reconhecer a China como economia de mercado em 2016. Ou seja, dentro de cinco anos os países terão de utilizar os preços chineses nos processos antidumping. Isso significa que vai ficar mais difícil aplicar sobretaxas contra a China.

DCI: As relações entre o Brasil e a Argentina devem ser baseadas na resposta pela mesma moeda, como já ocorreu?

IR: Eu acompanhei e intermediei as rixas entre os dois países desde quando começou a expressão “a terrível guerra das geladeiras”, as visitas mútuas eram constantes, eu sempre tratei esse tema com cuidado, existe uma tendência de utilizar a rixa futebolística para esta questão, o que é um erro. Do ponto de vista do comércio exterior, a Argentina tem para o Brasil uma importância extraordinária, por ser o principal comprador de manufaturados. Além disso, temos um peso muito maior para eles, pois somos o maior parceiro comercial dos argentinos. Diversos problemas do passado fragilizaram a indústria e o governo argentino, e por conta disso eles são obrigados a se proteger e adotar as licenças não automáticas (LNA), não só contra o Brasil, mas contra o mundo inteiro.

Esse processo de aplicação das LNA, não é forçosamente contra o Brasil, ele prejudica a nossa economia, mas não é o alvo principal. As estatísticas, apesar de todos esses problemas, mostram que as exportações para a Argentina continuaram crescendo. Não que eu não reconheça as dificuldades, mas o governo precisa tratar essa atitude de forma mais amena. É claro que o governo não pode ficar impassível. No âmbito geral, a Argentina continua e continuará tendo extrema importância para o mercado brasileiro.

DCI: Como era o seu papel como intermediário nas negociações com os parceiros comerciais?

IR: Ao longo do governo Lula eu coordenei muitas missões e reuniões bilaterais em diversos países. No Mercosul, como tínhamos muitos problemas, as reuniões aconteciam com maior frequência do que nos outros parceiros comerciais. Com isso, uma das coisas que aprendemos com essa constante é olhar os números. E o crescimento do comércio com o Mercosul sempre foi extraordinário. O bloco é muito positivo, do ponto de vista de comércio e investimentos para as empresas de todos os países. O Mercosul é uma ampliação dos mercados dos quatro países, pois é uma venda sem pagamento de tributos do comércio exterior. Evidente que o Brasil atraiu mais investimentos por ter um mercado maior. Agora, é lógico que existe uma crítica, voltada para as negociações comerciais com terceiros países, pois é necessário a posição e aprovação do bloco para assinatura de outros acordos de comércio exterior.

DCI: Quais são as principais barreiras para a conclusão do acordo entre o Mercosul e a União Europeia?

IR: A Argentina tem adotado uma postura protecionista que dificulta a conclusão do acordo de livre-comércio. Imaginarmos que do modo que estamos hoje, a Argentina aceitará maiores aberturas, principalmente na indústria, sendo a indústria europeia mais competitiva, será difícil. Mas a Europa também é muito protecionista, assim fica cada vez mais difícil um acordo entre os blocos. Não sei qual é mais protecionista, é uma briga boa. É necessário que haja concessões dos dois lados. Os setores mais interessados se queixam que estamos amarrados ao Mercosul. Mas não vejo tantas diferenças, o Brasil não tem preocupações tão opostas da Argentina.

DCI: O que o governo Dilma deveria fazer  relação ao Mercosul?

IR: Vale muito a pena o Brasil permanecer no Mercosul, o bloco tem sido muito positivo para o País e para as empresas, é só olhar para a qualidade da pauta de exportação, apesar de todas as dificuldades. Existem problemas, mas temos que olhar a balança como um todo. Perdemos um tanto na fronteira com a Argentina, mas ganhamos quanto em contrapartida? Temos que ponderar isso. Eu acho que para o Brasil seria bom estimular e atrair outros países para o Mercosul, como Chile, Venezuela, Peru, entre outros. Todos têm um bom comércio e nos beneficiariam muito do ponto de vista comercial. A América do Sul é um grande mercado para o Brasil.

DCI: E a questão da exclusão do Brasil do Sistema Geral de Preferências da União Europeia?

IR: Isso é uma consequência do crescimento do País, essa é a tendência. Hoje somos um dos 10 países em pleno desenvolvimento. Começamos a ter uma certa resistência à permanência brasileira no bloco, uma vez que exportamos mais do que outros países para seus vizinhos. Acredito que no curso geral o Brasil deve continuar participando do Sistema, não vejo uma exclusão abrupta dos brasileiros. Este será um processo negociável.

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Países latinos discutem estrutura melhor para combater a crise

AE São Paulo

http://si.knowtec.com/scripts-si/MostraNoticia?&idnoticia=34336&idcontato=4176&origem=fiqueatento&nomeCliente=FUNCEX&data=2011-08-15

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou na última sexta-feira que o Conselho de Economia e Finanças da União de Nações Sul-americanas (Unasul) discutiu mecanismos de defesa contra os efeitos da crise mundial que podem ser incrementados neste momento, caso necessário. “Preferimos fortalecer as instituições já existentes, porque é muito mais difícil criar novas estruturas. Vamos usar as instituições que estão criadas, como o Fundo Latino-Americano de Reservas [Flar]“, citou. “O Brasil tem intenção de ingressar no Flar, mas temos que avaliar as condições”, acrescentou. Segundo o ministro, o organismo fará um road show no Brasil, para que “possamos ver se podemos entrar no Flar”. Mantega afirmou que é preciso verificar quais são os direitos e as obrigações para ingresso no Flar. Além disso, é necessário ter a aprovação do Congresso Nacional. O fundo, de acordo com o ministro, está aberto à adesão de sócios. Mantega não mencionou, porém, com quanto o Brasil contribuiria para entrar no fundo. O ministro explicou que o Flar estabelece duas possibilidades de cotas: uma menor, de aproximadamente US$ 150 milhões, e outra maior, de US$ 500 milhões, para ser integralizado ao longo do tempo. Hoje, o Flar é composto por Bolívia, Colômbia, Peru, Costa Rica, Equador, Uruguai e Venezuela. O ministro reiterou que, embora o Brasil possa ingressar no Flar, a região precisa caminhar para mecanismos mais robustos no futuro. Outro mecanismo que, segundo ele, pode ser fortalecido pela Unasul é a Corporação Andina de Fomento (CAF). “O Brasil já aumentou sua cota de participação na Caf, cuja função é financiar investimentos. E a região carece de investimentos, não tanto o Brasil, porque já possui seu banco de fomento”, afirmou Mantega, em referência ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mantega também voltou a criticar a estrutura do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). “O BID tem dado financiamentos importantes para a América Latina, mas foi desvirtuado e não é controlado pelos latino-americanos, e, sim, pelos americanos”, disse. Ele defendeu uma mudança na governança do banco para que países latinos tenham mais controle do BID. Mantega rebateu ainda reportagem veiculada na imprensa que dizia que a América do Sul é refém de economias desenvolvidas e que a região não tem promovido reformas. “Não concordo com isso. Todos os países [da região] fizeram reformas e tiveram comportamento muito mais responsável que os avançados”, afirmou o ministro. Indagado sobre o aumento do corte de gastos no Orçamento de 2012, Mantega disse que a conduta fiscal deste ano será mantida nos próximos anos. “Portanto, devemos impedir o crescimento dos gastos, que deve ser inferior ao PIB [Produto Interno Bruto]“.

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José Sergio Gabrielli: “A crise pode ser uma coisa positiva”

Leonardo Souza (Revista Época)

http://si.knowtec.com/scripts-si/MostraNoticia?&idnoticia=34315&idcontato=4176&origem=fiqueatento&nomeCliente=FUNCEX&data=2011-08-13

“Ela já gritou comigo. E eu já gritei com ela também. Hoje eu não posso gritar porque ela é minha chefa.” Nesse tom amistoso, José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras durante o governo Lula e mantido no cargo por Dilma Rousseff, descreve sua relação com a presidente. Ele diz que são duas pessoas de posições firmes, mas que se respeitam mutuamente. Uma linha direta com o Palácio do Planalto é fundamental na gestão da maior estatal do país, onde o executivo que se senta na cadeira de presidente tem de conciliar interesses divergentes do governo e da empresa. “Temos de ser um pouco esquizofrênicos”, diz Gabrielli. No atual cenário da economia internacional, porém, o problema de Gabrielli é administrar os interesses convergentes tanto do governo como da Petrobras: como aproveitar a crise financeira internacional para que tanto o país como a empresa saiam mais fortes dela. Para Gabrielli, as chances de esse cenário se realizar são grandes.

ENTREVISTA – JOSÉ SERGIO GABRIELLI

QUEM É
Presidente da Petrobras durante a maior parte do governo do ex-presidente Lula, foi mantido no cargo pela presidente Dilma Rousseff

O QUE FEZ
Filiado ao PT desde 1980, é um dos fundadores do partido. Foi professor de economiada Universidade Federal da Bahia (UFBA), com título de Ph.D. pela Universidade Boston

ÉPOCA –Como a crise internacional afeta o petróleo?
José Sergio Gabrielli – É uma resposta muito difícil porque há algumas características dessa crise agora que são ainda muito incertas. O primeiro elemento é que a crise na Europa é mais grave do que nos Estados Unidos. Qual é o problema central na crise europeia? A capacidade da política fiscal de cada país para enfrentar o deficit e a dívida pública está no limite como instrumento efetivo de ação dos governos. Os governos europeus já tinham abandonado o uso da política monetária nacional, uma vez que têm moeda única. Portanto, a lógica da política monetária europeia é uma lógica de concertação entre países. Quando os países estão em estágios distintos de crise – a situação da Alemanha, por exemplo, é completamente distinta da situação da Grécia –, essa lógica faz com que as respostas monetárias sejam mais lentas. À medida que a resposta de política monetária é mais lenta, você tem um fenômeno de credibilidade sobre a capacidade de os Estados cumprirem suas obrigações.

ÉPOCA –Ou seja, a crise da Europa é uma crise de credibilidade?
Gabrielli – Eu acho que sim. Esses países mantêm taxas de juros baixas porque não podem aumentar os juros para não provocar uma recessão ainda mais profunda. Isso faz com que os capitais excedentes busquem aplicações que têm mais retorno e um mínimo de segurança. Essa seletividade busca aplicações mais seguras, como o ouro.

ÉPOCA –Essa busca por aplicações com bom retorno e segurança pode favorecer as commodities?
Gabrielli – Acho difícil falar em commodities em geral, mas o petróleo em particular, sim. Petróleo é uma quase moeda hoje. É uma commodity que tem um componente financeiro muito grande em seu preço.

ÉPOCA –E a crise nos EUA?
Gabrielli – A situação é diferente, mas há uma coisa comum. O problema que levou à variação do rating (classificação de risco de crédito) dos EUA é político.

ÉPOCA –Como está o Brasil?
Gabrielli – O Brasil está muito bem. Temos uma economia que está crescendo fortemente, puxada pelo mercado interno. Não temos um problema de expectativa de crescimento, temos flexibilidade na política monetária, ou seja, temos uma taxa de juros muito alta que pode ser ajustada. Podemos ajustar também a política fiscal, seja por estímulos à demanda agregada (corte de impostos) ou pelo aumento de impostos em determinados setores. Temos muito mais instrumentos hoje do que os Estados Unidos e a Europa. E o mercado está vendo isso. Por isso, estamos com o real tão apreciado. O país cresce, o mercado de trabalho está aquecido. Portanto, é outro quadro. Nós somos um alvo potencial de quem busca aplicações neste momento.

ÉPOCA –Para a Petrobras, então, a crise não é um problema?
Gabrielli – Provavelmente nós não passaremos imunes, dependendo da profundidade da crise. Mas pode ser até uma coisa positiva. Qual é a dificuldade que nós vamos ter? Provavelmente na captação de recursos. Estamos prevendo captar entre US$ 67 bilhões e US$ 91 bilhões. Se o preço do petróleo ficar em torno de US$ 80, vai ser US$ 91 bilhões. Se ficar em US$ 95, vai ser US$ 67 bilhões. (Quanto mais caro o barril do petróleo, maior o faturamento da Petrobras. Logo, menor a necessidade de captação de recursos.)

ÉPOCA –Essa captação será feita por meio de quais instrumentos?
Gabrielli – São vários instrumentos: emissão de bonds (títulos de dívida) no mercado, principalmente lá fora; agências de promoção de exportação (crédito lastreado em exportações) ; bancos de desenvolvimento; bancos comerciais. O que nós não vamos fazer é emissão de ações. Isso está fora. Fizemos a maior capitalização da história no ano passado. Ao fazer essa capitalização, colocamos um volume enorme de ações no mercado que precisa levar um tempo para ser absorvido. Dessa capitalização, nós temos hoje em nosso caixa US$ 26 bilhões. Portanto, não temos nenhum problema de urgência de captação. Temos um programa de desinvestimento (venda de ativos) de US$ 13,6 bilhões. E vamos gerar de nossas atividades regulares, após pagar dividendos, entre US$ 125 bilhões e US$ 148,9 bilhões.

“Os capitais excedentes buscam aplicações que têm mais retorno e um mínimo de segurança. O petróleo é uma quase moeda hoje”


ÉPOCA –O plano de investir US$ 224 bilhões até 2015 não muda?
Gabrielli – Não há mudanças.

ÉPOCA –Como fica o preço da gasolina?
Gabrielli – O preço da gasolina no Brasil não pode ser desconectado do preço da gasolina e do petróleo no mercado internacional. Por uma razão muito simples: o mercado brasileiro é aberto. O mercado brasileiro tem mais de 250 distribuidoras. A Petrobras tem 38% do mercado de distribuição; 68% estão com outras distribuidoras. Essas distribuidoras não têm nenhuma obrigação de comprar produtos da Petrobras. A Petrobras tem 100% do refino. Se a Petrobras mantiver os preços da gasolina e do diesel acima dos preços do mercado internacional por muito tempo e a perspectiva dos preços no mercado internacional for de estabilidade, o que vai acontecer com a distribuidora? Ela vai comprar fora e vai trazer para cá. Foi o que aconteceu em 2010, quando houve importações grandes. E se mantivermos abaixo do preço internacional por muito tempo e o preço lá fora for de estabilidade? A distribuidora vai comprar da Petrobras e vai exportar. Então, s no longo prazo, por razões econômicas, você tende a ter uma convergência. Qual é o momento de fazer o ajuste, que é a pergunta que todo mundo faz? Depende da volatilidade esperada da taxa de câmbio, depende da volatilidade esperada da variação do preço do petróleo.

ÉPOCA –Analistas do mercado financeiro afirmam que a manutenção artificial do preço da gasolina afeta os papéis da Petrobras, o que é ruim para os acionistas.
Gabrielli – Evidentemente, o mercado reage sempre do lado que dói mais para ele. No momento em que o preço está acima do preço internacional, eles não reclamam, é óbvio. Eles reclamam quando está abaixo do preço internacional. Durante todo o ano de 2009 e início de 2010, ficou acima. Hoje está abaixo, mas o preço internacional está muito volátil. O preço da gasolina é muito sensível. As pessoas são muito sensíveis ao preço da gasolina. O mundo político gosta muito do preço da gasolina, a imprensa gosta muito do preço da gasolina.

ÉPOCA –Há uma exploração política do preço da gasolina?
Gabrielli – Claro, tanto por parte do governo quanto da oposição. Os dois lados falam do preço da gasolina.

ÉPOCA –Por parte do governo também?
Gabrielli – Claro, diz que não vai mudar, que vai segurar (o preço) . Diz que vai segurar porque é importante segurar, senão o pessoal sente no bolso.

ÉPOCA –O governo intervém na gestão da Petrobras?
Gabrielli – O Conselho de Administração da Petrobras, que é um conselho ativo e que se reúne mensalmente, define os pontos estratégicos e as decisões-chave da empresa. E o governo tem a maioria no conselho. Então é óbvio que tem influência, como os acionistas controladores de todas as empresas fazem. O que há é um alinhamento de longo prazo dos acionistas não controladores com o governo. O governo quer que a Petrobras cresça, que a Petrobras gere lucro, que a Petrobras permita que o mercado seja estável, que a Petrobras tenha fluxo de caixa mais estável, que pague bons dividendos. Agora, é claro que o governo não quer que a Petrobras perturbe o mercado, que a Petrobras não crie problemas. Por isso é que temos de ser um pouco esquizofrênicos, temos de combinar ambos os interesses e andar numa linha fina de ajuste de uma empresa que tem múltiplos interesses.

ÉPOCA –O país vive uma série de escândalos relacionados ao loteamento político de cargos. Há loteamento de cargos na Petrobras?
Gabrielli – A diretoria da Petrobras é basicamente a mesma há oito anos. Da diretoria da Petrobras, o único terceirizado é o presidente. Agora, dizer que não tem influência política… Você acha que a Exxon atua de forma diferente do governo americano? Que a British Petroleum (BP) atua de forma diferenciada do que o governo inglês quer? Que a Total atua de forma diferente do que o governo francês quer? Nos Estados Unidos, as empresas não negociam com o governo, mas não destoam nas grandes questões políticas. Mas é claro que, no dia a dia (destoam) , sim, como também a Petrobras.

“Temos de ser um pouco esquizofrênicos. Temos de andar numa linha fina de ajuste de uma empresa que tem múltiplos interesses”

ÉPOCA –A Petrobras destoa do governo? Em que assuntos?
Gabrielli – Em alguns detalhes, sim. Nós temos, por obrigação fiduciária, de viabilizar coisas que não dão prejuízo, por exemplo. Como gestores, nós respondemos como pessoas físicas. Não podemos fazer nada que dê prejuízo à companhia.

ÉPOCA –Já houve algum pedido que a companhia entendeu que teria prejuízo?
Gabrielli – Às vezes, você tem projetos que não são viáveis economicamente, mas há a pressão da opinião pública, da sociedade à qual você tem de resistir.

ÉPOCA –Pressão do governo também?
Gabrielli – Também, mas eu diria que não é o dominante. Nós temos em nosso portfólio mais de 3 mil projetos, sendo 688 com mais de US$ 25 milhões. E são projetos que adicionam valor. Em oito anos, a Petrobras saiu de US$ 14 bilhões de valor de mercado para US$ 258 bilhões hoje. Você não adiciona valor se tiver projeto dominante sem rentabilidade. Então, você tem de ter uma gestão que leve em conta esse conjunto de interesses que eu mencionei. Nós somos uma empresa que tem múltiplos grupos de interesse. E você tem de atender uma curva que represente a maioria desses grupos, que às vezes são contraditórios, são conflitantes.

ÉPOCA –Como é sua relação com a presidente Dilma?
Gabrielli – É uma relação de trabalho excelente nos últimos oito anos e meio, porque começamos a trabalhar ainda na transição (do primeiro mandato do ex-presidente Lula) . Como numa relação de duas pessoas que se respeitam, duas pessoas que têm posições firmes, são relações que em certos momentos são mais amorosas e em outros momentos mais odiosas, o que é absolutamente normal. No dominante, é uma relação extremamente positiva: eu tenho muito respeito à presidente Dilma e acredito que ela também tenha respeito a mim. Neste momento eu tenho de obedecer à presidente, ela é minha chefa. Neste momento, ela estará certa sempre (risos) .

ÉPOCA –Ela já gritou com o senhor?
Gabrielli – Ela gritou, mas não é verdade que eu chorei, muito menos no banheiro, como andaram publicando (risos) . Mas que ela já gritou comigo, já. E eu já gritei com ela também. Hoje eu não posso gritar porque ela é minha chefa.

ÉPOCA –E seus planos políticos?
Gabrielli – Pode escrever aí de forma peremptória: não serei candidato em 2012. Não há a menor possibilidade de José Sergio Gabrielli ser candidato em 2012.

ÉPOCA –E em 2014?
Gabrielli – Está muito longe ainda para decidir.

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